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A vida não é útil

  • Foto do escritor: Eliza Rebeca Simões Neto Vazquez
    Eliza Rebeca Simões Neto Vazquez
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

      

    

  Ao trançar o macramê, quanto a mão tece os fios, a mente silencia, aquieta em um fazer que carrega sabedoria do corpo. Vejo a malha crescer e busco firmar pontos para manter uma unidade no desenho. O trançado nasce quase como um gesto político, visto que ele opera em outro tempo, em uma lógica contrária ao mundo produtivista. Escuto de minha sogra Marlene:

-  “Bel, isso dá pra vender?”

- “Dá, mas não é esse o objetivo”, respondo. E ela continua querendo compreender:

- “Mas não compensa já comprar pronto? Hoje em dia acha tão baratinho na internet”. Eu sorrio e respondo: “Dá pra comprar, mas daí não vem junto o prazer de ter feito”. E sigo pensando na lógica de Marlene, já impactada por morar tantos anos em Atlanta, Geórgia, nos Estados Unidos. A pergunta se repete em vários momentos, modificados o contexto: “Bel, fazer o doutorado vai te dar mais dinheiro”? “Bel, esse pão de lenta fermentação, dá pra vender?” E seguimos entre o riso e modos diferentes de viver o mundo. Entre o produtivo/utilitário e um jeito que busca ouvir Krenak em “a vida não é útil”.

 
 
 

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