Primeiro trimestre 2026
- Eliza Rebeca Simões Neto Vazquez
- 9 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de abr.
O ano mal começou e foram tantos eventos que me sinto em um brinquedo veloz, com pouco tempo para tanto espanto.
Primeiro o susto de conhecer o projeto The Send, depois uma sucessão de Guerras (Venezuela, Irã) e invasões iniciadas por Trump, ICE escalando a violência com imigrantes, escândalos de corrupção no Brasil, caso Epstein no mundo. Caminhada de Nikolas Ferreira e o raio, Carnaval, casos sequentes de feminicíio e violências contra meninas.
Fake News para todo lado e manipulação com Inteligência Artificial - o caos parece querer nos afogar. E de tantos sustos em sustos, a nossa sensibilidade vai amortecendo, os escândalos vão sendo normalizados e/ou banalizados, torna-se o imaginário social mais permissivo com tantos horrores. E é triste saber que isso é estratégia amplamente divulgada e promulgada pela extrema direita. É de horror em horror que se cansa de tanto chocar. É uma estratégia para dividir e paralisar. Aos poucos nos vemos em uma distopia sem fim,, aguardando o próximo horror, em constante sensação de sobrevivência.
É comum encontrar pessoas que se mantém alienadas por opção, para poupar o peito, por descrença ou estratégia. Ou pior, por falta de tempo e energia, afogados em uma rotina massacrante de trabalho, que não permite afetos, pensamentos, revoltas. Cada energia deve ser concentrada para tentar ser utilizada no trabalho do dia seguinte.
Hoje me sento na biblioteca da UFG, como visitante, para começar a organizar o mundo de dados selecionados que interagem com minha pesquisa e que, de alguma forma, me movem pra tentar compreender melhor o mundo que nos cerca e como posso me posicionar enquanto professora, pesquisadora e artista frente ao caos que vivemos e que não parece estar próximo de passar.
É espantosa a capacidade das pessoas que pretendem manter-se no poder, de manipular informações, narrativas, conceitos.
Neste momento é com um destes fios de horror que devo começar a tecer.
O evento "The Send", que segundo os organizadores, é apenas o começo já parece prenunciar um requiem com aparelhagem em alto som, para mobilizar corações e anunciar que a democracia está morta.



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