Processo rizomático a/r/tografico da investigação viva
- Eliza Rebeca Simões Neto Vazquez
- 27 de abr.
- 2 min de leitura
Investigar de maneira a/r/tográfica é como se mover em uma trilha com mil bifurcações e pontos de entrada e saída. É uma investigação rizomática por essência, que deve ser permeada de diferentes pontos de conexão, onde determinados encontros/acontecimentos são incorporados à pesquisa, deslocando-a e possibilitando novas perguntas. A investigação viva, como um dos pilares do método a/r/tográfico, aquela que se torna constantemente ativa à procura de novas interações, reflexões, criações. É necessário manter uma “postura ativa”, responsiva, reflexiva frente aos acontecimentos. A investigação a/r/tográfica, portanto, prioriza o processo inquisitivo e reflexivo. Uma pesquisa com prática e reflexão constante, onde a “teoria deixa de ser um conceito abstrato para se tornar uma investigação viva incorporada, um espaço relacional intersticial para criar, ensinar, aprender e investigar em um estado constante de devir”. “As Relações Rizomáticas da A / r / tografia” (Irwin et al, p.71, 2006)
Neste fluir rizomático da pesquisa a/r/tográfica o processo da escrita é um exercício de tornar coerente e sequencial um processo que nada tem de linear. O processo prático da pesquisa ocorre de outra maneira, menos rígida e planejada como outros processos de pesquisa que já participei. Sinto que nesta forma de fazer pesquisa há um movimento muito maior de eixos que se conectam, acontecimentos que “perturbam” o que já estava escrito, pontos que emergem e são descartados. Na minha linha reflexiva sou constantemente “jogada” para eventos passados e presentes, tentando enxergar um futuro possível. É como olhar para o mapa rizomático da pesquisa e constantemente traçar novas rotas, novos decalques (Deleuze e Guatarri 1987)
Neste sentido, o trabalho de curadoria do que irá entrar ou não na pesquisa, como entrelaçar tantos pontos que me atravessam, é um processo que lida com muito excesso, lapidação, repetições e “limpezas” – processos comuns e vivenciados na minha prática artística. É como olhar para uma escultura e lapidar, lapidar, sobrepor massa, remodelar, deixar que tome vida algo que estava inerte. Ou como acordar diariamente e saber que a repetição de determinado compasso deverá ser feita e refeita à exaustão, em busca de um resultado que ainda não emergiu.
O site onde coloco alguns dos escritos e peças que estão decorrendo desta pesquisa, me dá uma liberdade criativa que ainda não alcancei com o texto da tese. É neste espaço que posso criar livremente, sem me preocupar se será ou não incorporado ao texto final. Posso fluir a pesquisa e pensamentos de forma mais espontânea, sem o julgamento final. É como um caderno de recortes onde coloco as informações, pensamentos, rascunhos de ideias e reflexões que ainda não estão definidas para o texto final. É como mostrar outra face deste processo a/r/t/ografico, talvez uma forma de aproximar o movimento rizomático desta pesquisa, em links de navegação.



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